Auscultadores Grado Classic RS1 com copas em mogno

A Grado Labs faz células para gira-discos e auscultadores em Brooklyn, Nova Iorque, desde 1953. É uma empresa familiar, sem publicidade, e os produtos saem da mesma casa de sempre, montados à mão. Na my HI-FI HOUSE temos as três séries de células e as duas famílias de auscultadores com fios. Este guia explica o que distingue uma célula Grado, o que muda de série para série e como escolher entre um SR60 de 139 € e um HP100 SE de 2 699 €.

Uma casa em Brooklyn, três gerações

Joseph Grado era relojoeiro. Em 1953 começou a construir células de fono no prédio que a família tinha comprado em 1918 para uma loja de fruta. O prédio ainda é o mesmo e a produção nunca saiu de lá. O sobrinho, John Grado, assumiu a empresa em 1990 e lançou os primeiros auscultadores na década seguinte. Em 2023 passou a direção ao irmão Richard. A Grado não faz campanhas publicitárias: cresceu pelo passa-palavra.

Porque é que uma célula Grado é diferente

A maioria das células até à gama média são de íman móvel (MM): o íman viaja no cantilever, dentro das bobinas. As de bobina móvel (MC) invertem o esquema e dão pouca saída. A Grado segue um terceiro caminho, a que chama Flux-Bridger e que o mercado conhece como "moving iron", ferro móvel: íman e bobinas ficam fixos no corpo e no cantilever viaja apenas uma pequena peça de ferro. Menos massa em movimento, mais facilidade em seguir o sulco.

Na prática interessa isto: as versões de saída alta dão 4 mV com carga de 47k ohms, ou seja, ligam-se a qualquer entrada MM, no amplificador, num pré externo ou num gira-discos com pré incluído. As séries Timbre e Lineage existem também em saída baixa (1 mV), para quem tem entrada MC. Todas usam força de apoio entre 1,6 e 1,9 g, compatível com a generalidade dos braços.

Prestige, Timbre ou Lineage: como escolher a célula

A série Prestige é a entrada: corpo em plástico e agulha de diamante elíptico. A Green 4, a 149 €, substitui com vantagem a célula de origem de um gira-discos de entrada. A Red 4 e a Gold 4 partilham a arquitetura, mas são selecionadas com tolerâncias mais apertadas. Quem tem um gira-discos entre 300 € e 800 € fica bem servido aqui.

Na série Timbre a Grado passa a corpos em madeira, que amortecem ressonâncias de uma forma que o plástico não consegue. A Opus 4 (325 €) usa ácer americano; a Platinum 4 e a Sonata 4 mudam para oliveira. A partir da Master 4 (1 050 €) o corpo é em Osage e o cantilever passa de alumínio a boro, mais rígido e mais leve. É a série certa para um gira-discos dos 800 € aos 3 000 €, e a Opus 4 é o degrau em que o salto face à Prestige mais se nota por euro gasto.

A série Lineage é o topo: ébano brasileiro trabalhado à mão, agulha Shibata e só saída baixa, portanto exige um pré de fono à altura. A Statement 4 (3 650 €) tem cantilever de boro; a Aeon 4 e a Epoch 4 passam a safira. São células para sistemas de referência, uma escolha a fazer com calma na nossa sala de audição.

Modelo Tipo Preço
Grado Green 4 Célula Prestige, elíptica 149 €
Grado Red 4 Célula Prestige, elíptica 199 €
Grado Gold 4 Célula Prestige, elíptica 279 €
Grado Opus 4 Célula Timbre, corpo em ácer 325 €
Grado Platinum 4 Célula Timbre, corpo em oliveira 425 €
Grado Sonata 4 Célula Timbre, corpo em oliveira 650 €
Grado Master 4 Célula Timbre, Osage, cantilever de boro 1 050 €
Grado Reference 4 Célula Timbre, Osage, cantilever de boro 1 550 €
Grado Statement 4 Célula Lineage, ébano, Shibata 3 650 €
Grado Aeon 4 Célula Lineage, ébano, cantilever de safira 5 490 €
Grado Epoch 4 Célula Lineage, ébano, cantilever de safira 10 950 €

Auscultadores Classic e Signature: o que muda

Todos os auscultadores Grado com fios são abertos (open-back): a parte de trás da copa é uma grelha, não uma tampa. O palco sonoro é largo e a sensação aproxima-se de ouvir colunas. O preço a pagar é o isolamento: quem está ao lado ouve o que toca. São auscultadores para casa, não para o metro.

A série Classic é a linha histórica. O SR60 (139 €) e o SR80 (179 €) usam o mesmo driver X2 de 44 mm; o SR80 recebe cabo melhor e almofadas maiores. O SR325 (369 €) passa a copas em alumínio. O The Hemp (529 €) usa cânhamo prensado com madeira e é o Classic mais quente. O RS1 (849 €) é a referência em mogno, e o GS1000 e o GS3000 mudam para câmaras grandes em madeira, driver de 50 mm e almofadas que assentam à volta da orelha. O cabo é fixo em todos os Classic.

A série Signature é a geração nova. A diferença mais prática é o cabo destacável com ficha mini XLR de 4 pinos em cada copa, que permite passar a ligação balanceada ou trocar um cabo danificado sem devolver o auscultador. Os drivers são de 50 mm no S550 (1 099 €), no S750 e no S950. O HP100 SE (2 699 €) retoma o nome de um auscultador mítico da marca, com drivers novos de 52 mm em copas de alumínio. Quem tem um amplificador de auscultadores com saída balanceada tira partido da Signature; quem começa gasta melhor o dinheiro num SR80 ou num SR325.

Modelo Tipo Preço
Grado SR60 Classic, aberto, 44 mm 139 €
Grado SR80 Classic, aberto, 44 mm 179 €
Grado SR325 Classic, aberto, copas em alumínio 369 €
Grado The Hemp Classic, aberto, corpo em cânhamo 529 €
Grado RS1 Classic, aberto, mogno 849 €
Grado GS1000 Classic, aberto, madeira, 50 mm 1 299 €
Grado GS3000 Classic, aberto, cocobolo, 50 mm 2 099 €
Grado S550 Signature, aberto, cabo destacável 1 099 €
Grado S750 Signature, aberto, cabo destacável 1 799 €
Grado S950 Signature, aberto, cabo destacável 2 399 €
Grado HP100 SE Signature, aberto, 52 mm, alumínio 2 699 €

Porque escolhemos a Grado

A Grado gasta zero em publicidade e o dinheiro que não gasta a promover-se está no produto. Uma célula de 149 € montada à mão em Brooklyn e um auscultador de 139 € recomendado há trinta anos são o tipo de valor que a my HI-FI HOUSE, em Lisboa, procura nas marcas que representa.

Perguntas frequentes

As células Grado ligam-se a uma entrada MM ou MC?

As versões de saída alta (4 mV), que vendemos por defeito, ligam-se a qualquer entrada MM com carga de 47k ohms, incluindo o pré de fono incluído em muitos gira-discos e amplificadores. As versões de saída baixa (1 mV) das séries Timbre e Lineage precisam de entrada MC. Em caso de dúvida, diga-nos que gira-discos e que amplificador tem.

Os auscultadores Grado deixam passar o som para fora?

Sim. Todos os Grado com fios são abertos e quem estiver na mesma sala ouve o que está a tocar. Em troca, o som é mais amplo e natural do que num auscultador fechado, e é por isso que tantos audiófilos os preferem em casa.

Vale a pena pagar mais por um Signature em vez de um Classic?

Depende do resto do sistema. O Signature traz cabo destacável, drivers maiores e tolerâncias mais apertadas, e aproveita um amplificador com saída balanceada. Se a fonte for um computador ou um telemóvel, um SR80 ou um SR325 dá a maior parte do som Grado por uma fração do preço.

Leia também O primeiro gira-discos: como escolher (e o que evitar) e DALI iO-8 e iO-12, para comparar com auscultadores fechados e sem fios.

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