O móvel onde o sistema assenta faz parte do sistema. Um gira-discos numa estante da sala e o mesmo gira-discos num rack pensado para hi-fi não soam igual: menos ruído de fundo, graves mais definidos, menos confusão quando a música fica densa. Este guia explica de onde vem a vibração, que aparelhos mais sofrem com ela e como escolher entre os racks Skyanalog Simplexity R-25 e os Cold Ray em oportunidade na my HI-FI HOUSE, em Lisboa.
De onde vem a vibração
Há duas fontes. A primeira é o chão: passos, trânsito na rua, a máquina de lavar ao fundo do corredor, tudo sobe pelos pés do móvel. Num soalho de madeira o problema é evidente, mas até em betão circula vibração de baixa frequência. A segunda são as próprias colunas: a pressão sonora que enche a sala também bate no móvel, e quanto mais alto se ouve, mais energia chega.
O gira-discos é o aparelho mais sensível, porque a agulha lê movimentos de milésimas de milímetro e não distingue os que vêm do disco dos que vêm do móvel. Segue-se o equipamento a válvulas: as válvulas são microfónicas, transformam vibração mecânica em sinal elétrico, e um pré valvulado numa prateleira que treme acrescenta ruído. Um DAC ou um streamer sem partes móveis é o que menos se ressente.
Desacoplar ou acoplar
Acoplar é ligar o aparelho ao móvel, e o móvel ao chão, da forma mais rígida possível, tipicamente com pés de pico: a vibração que nasce dentro do aparelho escoa para uma massa maior. Funciona bem com racks pesados sobre betão. Desacoplar é o contrário: interpor algo elástico entre o aparelho e o que está por baixo, para que a vibração de fora não entre. Prateleiras suspensas e plataformas isoladas seguem esta lógica. Os melhores racks combinam as duas, com pilares rígidos até ao chão e prateleiras que flutuam nesses pilares, e é esse o desenho do Simplexity.
Skyanalog Simplexity R-25: o rack de quem faz células
A Skyanalog é conhecida pelas células de bobina móvel, e uma célula MC é um exercício de controlo de vibrações numa escala minúscula. O Simplexity leva essa experiência para o móvel. Cada prateleira de contraplacado de bétula fica suspensa nos pilares por suportes de alumínio maquinado em CNC e polido à mão, desacoplada das restantes, para que a vibração de um aparelho não passe para o do lado. O detalhe que o distingue é a chave dinamométrica calibrada que vem na caixa: menos aperto nos pontos de suspensão dá um som mais aberto e espacial, aperto médio dá equilíbrio, mais aperto dá um som mais focado e denso. A base é comum a toda a série, 631 por 541 mm; muda o número de níveis e a carga por prateleira.
O R-25/1 tem um só nível, 108 mm de altura e aguenta 60 kg: serve para um amplificador de potência pesado ou para isolar um gira-discos num móvel que já existe. O R-25/2 tem dois níveis, 385 mm de altura e 50 kg por prateleira, e chega para um gira-discos e um integrado. O R-25/3, com 662 mm de altura e 35 kg por prateleira, é o formato mais comum: gira-discos, pré de phono ou streamer e amplificador. O R-25/4 sobe aos 939 mm e junta gira-discos, pré de phono, amplificação e fontes digitais. Como é modular, quem começa com dois níveis pode acrescentar mais tarde, até quatro.
Cold Ray: duas oportunidades de exposição
A Cold Ray segue uma abordagem mais clássica: prateleiras de madeira de folha natural sobre colunas metálicas que afastam dos componentes as vibrações do chão. Temos duas peças de exposição a preço de oportunidade. O Base 325 tem três prateleiras em nogueira, 715 mm de largura, 535 mm de profundidade e 325 mm entre níveis. Com 75 kg por prateleira, aceita amplificadores grandes e gira-discos pesados. Tem pequenas marcas de uso e passa de 1 779 € para 450 €. O Single é uma plataforma única em preto, sobre pés metálicos, para isolar um componente do chão ou do aparador. Há duas unidades a 250 € cada, em vez de 798 €.
| Modelo | Tipo | Preço |
|---|---|---|
| Skyanalog Simplexity R-25/1 | Rack de 1 nível, carga 60 kg | 479 € |
| Skyanalog Simplexity R-25/2 | Rack de 2 níveis, 50 kg por prateleira | 699 € |
| Skyanalog Simplexity R-25/3 | Rack de 3 níveis, 35 kg por prateleira | 1 099 € |
| Skyanalog Simplexity R-25/4 | Rack de 4 níveis, 35 kg por prateleira | 1 499 € |
| Cold Ray Base 325 | Móvel de 3 prateleiras, 75 kg por prateleira (exposição) | 450 € |
| Cold Ray Single | Plataforma para 1 componente (exposição) | 250 € |
Quantos níveis e o que pôr em cada um
Conte os aparelhos e some um nível se houver planos de crescer. Streamer e integrado cabem em dois níveis. Vinil acrescenta o gira-discos e muitas vezes o pré de phono, o que leva a três ou quatro. O gira-discos vai no topo: é o nível mais afastado do chão e o que deixa o braço livre. O amplificador, sobretudo se for pesado ou a válvulas, fica em baixo, junto da maior massa do rack. Pré de phono, DAC e streamer ocupam o meio, com o pré de phono afastado do transformador do amplificador para evitar zumbido. Se só um aparelho precisa de isolamento, o R-25/1 ou o Cold Ray Single resolvem sem trocar o móvel.
Porque escolhemos a Skyanalog
Há racks a custar vários milhares de euros que vendem sobretudo acabamento. O Simplexity tem alumínio maquinado, bétula e uma afinação real do amortecimento por 479 € a 1 499 €, de uma marca que põe o dinheiro no que se ouve e não em publicidade. Foi o mesmo critério que nos levou às células Skyanalog. Na sala de audição pode ouvir o mesmo gira-discos com e sem rack e tirar as suas conclusões.
Perguntas frequentes
Um rack hi-fi faz mesmo diferença no som?
Faz, e a diferença é maior nos gira-discos e nos aparelhos a válvulas. A agulha lê qualquer vibração que chegue ao prato e as válvulas transformam vibração em ruído elétrico. Num sistema só digital o ganho é menor, mas existe, sobretudo em soalhos de madeira.
Pés de pico ou pés de borracha: qual é melhor?
Os pés de pico acoplam o móvel ao chão e escoam a vibração para uma massa maior; funcionam bem em betão com racks pesados. Os pés elásticos desacoplam e impedem a vibração do chão de subir; são a melhor escolha em soalhos de madeira. O Simplexity combina pilares rígidos com prateleiras suspensas e serve nos dois casos.
Onde se deve pôr o gira-discos no rack?
No topo. É o nível mais afastado do chão, o mais fácil de nivelar e o que deixa o braço e a tampa livres. O amplificador fica em baixo e o pré de phono no meio, longe do transformador.
Leia também Como melhorar a acústica da sala e O primeiro gira-discos: como escolher (e o que evitar).