A maioria das pessoas que entra numa loja de alta fidelidade pela primeira vez faz o mesmo: olha à volta, vê os preços e conclui que aquilo não é para si. Esse impulso é compreensível. E está errado.
Hi-fi não é um clube fechado para entusiastas com mais dinheiro do que bom-senso. É, simplesmente, som que se ouve de verdade, com detalhe, com espaço, com vida. E é muito mais acessível do que parece.
O sistema em três peças
Um sistema de hi-fi de entrada é composto por três elementos.
A fonte é o aparelho que reproduz música. Pode ser um leitor de streaming (ligado a serviços como Spotify ou Tidal), um gira-discos ou um leitor de CD. Cada um tem o seu carácter, mas todos fazem a mesma coisa: enviam sinal para o passo seguinte.
O amplificador integrado recebe esse sinal e amplifica-o. Num sistema simples, o amplificador e o pré-amplificador estão na mesma caixa – daí "integrado". É o coração do sistema.
As colunas transformam o sinal elétrico em som. São elas que o ouvido avalia primeiro, e por isso merecem atenção especial na hora de escolher.
É tudo. Fonte, amplificador, colunas. Com estes três elementos e um orçamento razoável, o salto face a uma soundbar ou a umas colunas Bluetooth é imediato e inequívoco.
A sala importa tanto quanto o equipamento
Há uma verdade que as fichas técnicas não conseguem capturar: o mesmo sistema soa de forma diferente consoante a sala onde está instalado. O tamanho, os materiais, a disposição do mobiliário – tudo isto afeta o que se ouve.
Por isso, comprar hi-fi à distância, guiado só por especificações num ecrã, é uma lotaria. As especificações não mentem, mas não dizem tudo. O que o ouvido decide numa sala de audição é diferente do que a cabeça decide a ler reviews online.
Quanto é que isto custa, afinal?
Montar um sistema de entrada decente – com colunas, amplificador integrado e uma fonte de streaming – é perfeitamente possível abaixo dos 1.000 euros. Para quem quer acrescentar um gira-discos ou subir ligeiramente a qualidade das colunas, o intervalo entre 1.500 e 2.500 euros já abre um campo muito diferente.
Não existe um número certo. Existe o número certo para o que cada pessoa tem em casa, no seu espaço, com os seus hábitos de escuta. O aconselhamento que fazemos na loja parte sempre daí – do que faz sentido para cada situação, não do que seria mais caro.
Venha ouvir antes de decidir
A My HI-FI HOUSE tem sala de audição na Av. 5 de Outubro, em Lisboa, com mais de 40 anos de hi-fi e sem agenda para empurrar produto. Pode aparecer, descrever o que tem em casa, o que ouve e quanto quer gastar, e montar em conjunto um sistema que faça sentido.
O melhor argumento de venda que temos é ligar o equipamento e deixar a música falar.