Sala de audição com sistema de hi-fi

Há uma forma fácil de gastar muito dinheiro em hi-fi e ficar com pouca música. Compra-se pelo nome, pela capa da revista, pelo anúncio bonito e paga-se, sem dar por isso, todo o marketing que tornou a marca conhecida. Descontada a publicidade, a música que sobra costuma valer bem menos do que o preço pago.

A nossa forma é outra: poucos, mas bons.

Escolhemos poucas marcas, poucos aparelhos e escolhemo-los pela música que tocam. Um bom sistema tem dinâmica, tem ritmo e transmite emoção. Faz-nos esquecer o equipamento e ouvir só a música, sem efeitos especiais, sem pagar pela fama.

Primeiro ouvimos. Depois recomendamos.

Antes de sugerir seja o que for, ouvimos quem nos procura. Que música ouve, o que anda à procura, o tamanho da sala onde o sistema vai viver. Só depois falamos de aparelhos, porque um bom sistema é, acima de tudo, uma questão de equilíbrio.

E o equilíbrio tem uma regra dura: manda sempre o elo mais fraco. As melhores colunas do mundo não chegam se a amplificação não as souber comandar. O resultado final nunca passa à frente da peça mais fraca da cadeia.

A nossa recomendação procura sempre a combinação mais equilibrada para o seu orçamento: aquela em que nenhuma peça fica a dever às outras. É diferente e ouve-se a diferença.

Para todos os bolsos, a mesma regra

Ouvir bem é uma questão de escolher bem e isso está ao alcance de quase todos os orçamentos.

A partir de mais ou menos mil euros monta-se um sistema honesto e completo: amplificador, colunas e uma fonte, seja um streamer ou um gira-discos. Música a sério, daquela que dura anos.

Para quem quer o sistema de sonho, vamos até aos quarenta mil e cada euro lá em cima continua a obedecer à mesma regra do equilíbrio. Entre um ponto e outro há sempre um sistema certo para cada pessoa e cada sala. O seu também.

As marcas que não vê nos anúncios

Trabalhamos com poucas marcas. Raramente aparecem na publicidade, mas os jornalistas descobrem-nas e depois não as largam.

A Heed é inglesa de origem e húngara de fabrico. Nasceu nos anos 80, em Budapeste, a montar um pequeno amplificador de culto britânico, o Ion Obelisk. Quando a Ion fechou e o criador saiu do ramo, deu a bênção aos irmãos Huszti para continuarem o trabalho. Foi assim que nasceu a Heed. Faz caixas pequenas e modulares, que se vão melhorando ao longo dos anos com uma placa de DAC, uma de phono ou uma fonte de alimentação externa. Afina tudo de ouvido, mais do que por uma folha de medições. O Elixir é o ponto de partida e o Lagrange S é o passo seguinte.

Heed Elixir, amplificador integrado
Heed Elixir
Heed Lagrange S, amplificador integrado
Heed Lagrange S

A Aurorasound é japonesa, de Yokohama, com praticamente um só rosto: Shinobu Karaki, que passou quase trinta anos a desenhar circuitos na Texas Instruments antes de se reformar mais cedo para fazer áudio à sua maneira. Tudo feito à mão, em pequenas séries. A especialidade é o vinil, com pré de phono que vão buscar as bobinas à sueca Lundahl, mais amplificação a válvulas e transformadores de step-up. Um engenheiro, uma vida de saber, poucas unidades por ano.

Aurorasound, amplificação artesanal japonesa
Aurorasound

A Ø Audio é norueguesa e é a mais nova da casa, fundada em 2017. Ganhou nome com a Icon, uma coluna de duas vias que mete uma corneta ao lado de um woofer de 12 polegadas, dentro de uma caixa assimétrica. A ideia é entregar a escala e a força da música ao vivo, com inspiração assumida na paisagem do país. Deliberadamente anticomercial, com o som à frente do apelo de massas. Foi assim que se fez notar em Munique, na maior feira do setor.

Ø Audio Icon, colunas norueguesas de alto desempenho
Ø Audio

A Spendor é a clássica inglesa da casa, fundada em 1969 por Spencer Hughes, engenheiro da investigação da BBC, com a mulher, Dorothy. O nome vem dos dois: SPENcer mais DORothy. A primeira coluna, a BC1, foi desenhada ainda dentro da BBC e ficou célebre por um meio-grave natural e sem coloração, daqueles que nunca cansam. Mais de cinquenta anos depois, a família continua a afinar o mesmo princípio.

Spendor série A, colunas inglesas de meio-grave natural
Spendor

Poucos nomes, todos bons. Nenhum a pôr-lhe na fatura o custo do próprio marketing.

No fim, decide-se com os ouvidos

Nada disto se decide num texto. Decide-se a ouvir. São mais de quarenta anos a fazê-lo. É por isso que a nossa loja em Lisboa é mais do que uma loja: é uma sala para escolher, ouvir e falar sobre música. Venha ouvir, na Avenida 5 de Outubro.

GuiasPoucos mas bons

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