Nem todas as colunas que vendemos são fáceis de vender. As Magnepan LRS+ são um desses casos. É exatamente por isso que gosto delas.
Quando um cliente entra à procura de "colunas boas", a imagem que tem na cabeça é quase sempre a mesma: uma caixa, dois ou três altifalantes redondos, quanto maior melhor. As LRS+ da Magnepan desfazem essa imagem em segundos. São painéis planares magnéticos, finos como uma porta, altos como uma pessoa, sem caixa nenhuma: só um diafragma ultraleve preso a uma estrutura, a vibrar diretamente com o sinal do amplificador. A primeira reação de quase todos os clientes é a mesma: "isto é mesmo uma coluna?"
É. E é uma das mais honestas que passam pela loja.
O que muda quando não há caixa
Uma coluna tradicional produz som a partir de um cone a empurrar ar dentro de uma caixa fechada ou ventilada. Essa caixa, por melhor que seja construída, deixa sempre a sua assinatura no som: ressonâncias, coloração, uma certa "caixa" que se ouve mesmo quando não se repara. Um painel planar como o das LRS+ não tem essa caixa. O diafragma é tão leve que reage ao sinal quase sem inércia e o resultado é uma limpeza nos médios e nos médios-agudos que colunas convencionais, mesmo bem mais caras, custam a igualar. As vozes soam menos "reproduzidas" e mais presentes; instrumentos de corda e sopro ganham uma textura que normalmente só se associa a equipamento com outro zero no preço.
Há também o efeito de desaparecimento. E não é força de expressão. Bem posicionadas, afastadas da parede de trás como estes painéis exigem, as LRS+ deixam de soar como duas colunas colocadas na sala e passam a soar como um só palco sonoro contínuo entre elas. Fechei os olhos várias vezes durante os testes só para confirmar que a voz que ouvia não vinha de lado nenhum em particular: vinha simplesmente do meio, do ar.
Para quem são e para quem definitivamente não são
Aqui está a parte que prefiro dizer antes de qualquer cliente perguntar, porque acho que é isso que um conselho imparcial exige: as LRS+ não são para todos. E não fingimos que são.
Não vão bater-lhe no peito com grave. A sua natureza dipolar, que irradia som para a frente e para trás em fases opostas, significa que o grave mais profundo simplesmente não se comporta como numa coluna de caixa fechada. Quem vem de um sistema orientado a filmes de ação ou a música muito eletrónica vai sentir a diferença logo na primeira faixa. Precisam de espaço à volta, idealmente meio metro ou mais da parede de trás, o que nem toda a sala em Portugal tem para dar. E, por serem uma carga elétrica menos convencional, não se dão bem com qualquer amplificador: beneficiam claramente de eletrónica com boa entrega de corrente, não necessariamente muitos watts no papel, mas capacidade de controlar a carga sem esforço.
Dito isto: para quem ouve sobretudo música acústica, jazz, voz, clássica, ou simplesmente valoriza mais a transparência e a naturalidade do que o impacto físico do grave (e tem a sala e a paciência para as posicionar bem), as LRS+ oferecem algo que muito poucas colunas nesta faixa de preço (1690€) conseguem: a sensação de que o altifalante deixou de existir e ficou só a gravação.
Não são a minha recomendação para todos os clientes que entram na loja. São, sem dúvida, a recomendação certa para o cliente certo. E esses, quando as ouvem, normalmente já sabem que as querem antes de eu dizer o preço.